Diferentes Perspectivas sobre o Arrebatamento e a Grande Tribulação
Os pré-tribulacionistas, mi-tribulacionistas e pós-tribulacionistas são grupos que interpretam a Bíblia de maneiras diferentes, especialmente em relação ao arrebatamento da igreja e à Grande Tribulação.
Pré-tribulacionistas:
- Acreditam que o arrebatamento da igreja acontecerá antes do início da Grande Tribulação.
- Defendem que a volta de Cristo se divide em duas etapas:
- Primeira etapa: Arrebatamento secreto da igreja, onde somente os crentes verão Jesus nas nuvens.
- Segunda etapa: Manifestação visível de Cristo após a tribulação, na batalha do Armagedom.
- Argumentam que há uma distinção clara entre a igreja e Israel, e que a profecia de Daniel sobre a tribulação é direcionada a Israel.
- Baseiam-se em versículos que indicam a preservação da igreja da ira divina.
- O arrebatamento como um evento iminente mantém os crentes alertas e vigilantes.
- Enfatizam a analogia do arrebatamento com um casamento judaico, onde o noivo busca a noiva antes da festa.
- Acreditam que haverá um grupo distinto de salvos durante a Tribulação, diferente da igreja.
A teoria do arrebatamento pré-tribulacionista:
- A terceira interpretação predominante sobre a questão do arrebatamento na tribulação é a pré-tribulacionista, segundo a qual a igreja, o corpo de Cristo, em seu todo, será, por ressurreição e por transferência, retirada da terra antes de começar qualquer parte da septuagésima semana de Daniel.
I. A Base Essencial da Posição de Arrebatamento Pré-Tribulacionista:>
- O arrebatamento pré-tribulacionista descansa essencialmente na premissa maior — o método literal de interpretação das Escrituras. Como complemento necessário a isso, os pré-tribulacionistas acreditam na interpretação dispensacionalista da Palavra de Deus. A igreja e Israel são dois grupos distintos para os quais Deus tem um plano divino. A igreja é um mistério não-revelado no Antigo Testamento. Essa era de mistério presente insere-se no plano de Deus para com Israel por causa da rejeição ao Messias na Sua primeira vinda. Esse plano de mistério deve ser completado antes que Deus possa retomar seu plano com Israel e completá-lo. Tais considerações surgem do método literal de interpretação.
PENTECOST J-Dwight. MANUAL-DE-ESCATOLOGIA Capítulo 13.
PRÉ-TRIBULACIONISMO
- Este posicionamento afirma que Cristo virá para os seus santos, depois Ele virá com os seus santos. O primeiro estágio da vinda de Cristo é chamado de arrebatamento; o segundo é chamado de revelação. O posicionamento mais antigo acreditava e aceitava a questão da “iminência”; todavia a crítica maior contra essa posição concentrava-se mais no aspecto da ira de Deus e se a igreja será chamada a experimentar parte dela ou toda ela durante a tribulação.
- O Manual de Escatologia por Pentecost de J.Dwigth Pentecoste, apresenta uma base essencial dessa posição “O arrebatamento Pré-tribulacionista descansa essencialmente na premissa maior – o método literal de interpretação das escrituras como complemento necessário a isso. Os pré-tribulacionistas acreditam na interpretação dispensacionista da palavra de Deus. A igreja e Israel são dois grupos distintos para os quais Deus tem um plano divino. A igreja é um Mistério não-revelado no Antigo Testamento. Essa era de mistério presente encerra o plano de Deus para com Israel por sua rejeição ao Messias na sua primeira vinda. Esse plano de Mistério deve ser completado antes que Deus possa retomar seu plano com Israel e completá-lo.
- Tais considerações surgem do método literal de interpretação”. Os proponentes deste posicionamento (Jhon F. Walvoord, J.D. Pentemcoste, Jhon Feinberg, Hermam Coyt, Charles Ryrie, Rene Pache, Henry C.Thiessen, Leon Wood, Hal Lindsay, Alva McClain, Jhon A. Sproul e Richard Mayhue) apresentam os seguintes argumentos:
- a) A bíblia diz que os cristãos (igreja) estão isentos da ira divina (1Ts.10). Essa isenção não significa que a igreja não experimenta provações, perseguições e sofrimentos.
- b) Os crentes também estão isentos do tempo da ira registrados em Ap.10. Isto é apoiado pela maneira com que a preposição grega “ek” é usada nesta passagem.
- c) Todas as posições de arrebatamento tribulacionista prevêem um reino Milenial. A posição pré-tribulação requer que crentes vivos e não glorificados entrem no Reino, para assim repovoarem (Zc. 12.10-13; Rm. 11.26).
- d) Esta posição faz uma clara distinção entre o arrebatamento e a revelação, um intervalo de tempo. Isso é consistente com diferentes passagens que tratam desses dois eventos. Quanto ao arrebatamento: Jo.1-4; 1 Co. 15.51-58; 1;Ts.13-18: quanto à revelação ou segunda vinda de Cristo: Zc; Mt.29-31; Mc.24-27; Lc.25-27; Ap. 19.
- e) Esta posição da ênfase à iminência. Cristo pode voltar a qualquer momento; portanto os crentes têm uma atitude de expectativa (Tt. 2.13). Não existem advertências preparatórias de uma tribulação próxima para os crentes da era da igreja (At.29,30; 2Pe 2.1; 1.Jo.1-3).
- f) Esta posição contempla uma tribulação literal conforme mostrada em Ap-19. Não há nenhuma menção à igreja em Ap-18(argumento do silêncio).
- g) Aquele que detém mencionado em 2Ts.1-12, é o Espírito Santo que habita na igreja. Ele precisa removê-la (a igreja) antes do início da tribulação.
AURÉLIO, Professor PB. Fco. A. Pinto – ESCATOLOGIA TEOLOGICA, 2009.
Referências bíblicas:
- (1Ts 1:10) e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura.
- (1Ts 4:17) depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
- (1Ts 5:9) Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo,
- (Apo 3:10) Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
Mi-tribulacionistas:
- Acreditam que o arrebatamento acontecerá no meio da Grande Tribulação, especificamente após os três anos e meio da falsa paz.
- Sustentam que a igreja passará pela primeira fase da tribulação, mas será poupada da ira divina que se manifestará na segunda fase.
- Argumentam que o anticristo precisa se revelar antes do arrebatamento, baseando-se em 2 Tessalonicenses 2:1-3.
- Alguns defendem que a Grande Tribulação não terá necessariamente sete anos de duração.
A teoria do arrebatamento mesotribulacionista:
- Essa teoria é essencialmente uma via média entre as posições pós-tribulacionista e pré-tribulacionista. Concorda com o pré-tribulacionismo ao afirmar que o arrebatamento da igreja é um acontecimento distinto da segunda vinda, que o restringidor de 2Tessalonicenses 2 é o Espírito Santo e que a igreja tem promessas de libertação da ira. Tem em comum com o pós-tribulacionismo as crenças de que a igreja tem promessas de tribulação aqui na terra e necessita de purificação, que as Escrituras não ensinam a doutrina da iminência e que a igreja é vista na terra depois de Apocalipse 4.1.
PENTECOST J-Dwight. MANUAL-DE-ESCATOLOGIA
MESO-TRIBULACIONISMO
- Este posicionamento pressupõe que a igreja, os crentes em Cristo serão arrebatados no meio do período da tribulação, antes da grande tribulação. Este conceito reúne o melhor das posições, pré-tribulacionista e da pós-tribulacionista. Ela também tem o arrebatamento no meio da septuagésima semana de Daniel. Os proponentes deste posicionamento (Gleson L.Archer, Norman Harrison, J.Oliveira Buswell, Merril C. Tenney e G.H.Lang) apresentam os seguintes argumentos:
- a) Essa posição apresenta menos problema do que os conceitos pré ou pós-tribulacionista. Ela evita problemas dos dois extremos.
- b) As escrituras dão grande ênfase aos três anos e meio (42 meses ou 1260 dias) que dividem os setes anos da tribulação (Dn. 7.9; 27.12; 12.7; Ap.3; 12.6,14).
- c) O discurso do Monte das Oliveiras (Mt e 25) fala da vinda, aparecimento e retorno de Cristo. Ele coincide com a passagem do arrebatamento em (1Ts.15).
- d) 2Ts.14 especifica cabalmente sinais que precedem o momento do arrebatamento.
- e) Apocalipse 11.15-19 menciona a sétima trombeta que é idêntica trombeta de Deus em (1Ts.16 )
AURÉLIO, Professor PB. Fco. A. Pinto – ESCATOLOGIA TEOLOGICA, 2009.
Pós-tribulacionistas:
- Acreditam que o arrebatamento acontecerá após a Grande Tribulação, no momento da segunda vinda de Cristo.
- Defendem que a igreja passará por toda a tribulação, mas estará protegida da ira divina.
- Argumentam que se a igreja fosse arrebatada antes da tribulação, não haveria crentes para o anticristo perseguir.
- Baseiam-se em textos bíblicos que mencionam a tribulação como uma experiência para a igreja.
- Questionam a ideia do arrebatamento secreto, defendida pelos pré-tribulacionistas.
A teoria pós-tribulacionista:
- Esta teoria precisa aplicar à igreja grandes passagens das Escrituras que esboçam o plano de Deus para Israel (Mt 13; Mt 24 e 25; Ap 4-19), a fim de manter suas concepções. Observamos, assim, que a posição apoia-se essencialmente num sistema de negação das interpretações sustentadas pelos pré-tribulacionistas, e não numa exposição verificável das Escrituras.
Os Argumentos Essenciais:
- A. O argumento histórico. Existem vários grandes argumentos nos quais se apóia o pós-tribulacionista. O primeiro é um argumento histórico. Sua posição é que o pré-tribulacionismo é uma doutrina nova, surgida nos últimos cem anos, e, conseqüentemente, deve ser rejeitada pois não é apostólica.
PENTECOST J-Dwight. MANUAL-DE-ESCATOLOGIA
PÓS-TRIBULACIONISMO
- Este posicionamento afirma que os crentes vivos serão arrebatados na segunda vinda de Cristo, que irá ocorrer no final da tribulação. Este posicionamento subdivide-se em Pós-tribulacionismo: Clássico, Semi Clássico, Futurista e Dispensacional. O aspecto é amplo abrangendo um período desde os pais da igreja antiga até o presente século. Seus proponentes são: (Clássico) J.Barton Payne; (Semi Clássico) Alexander Reese, Normam MacPherson, George H.Fromo (futurista) George Ladd, Dave MacPherson; (dispensacional) Roberth H. Gundry, Douglas J. Moo. Eles apresentam os seguintes argumentos:
- a) O arrebatamento é precedido por sinais inconfundíveis (Mt.3-21). Esses sinais são parte do período da tribulação no qual os santos têm que passar. Sua culminância será o retorno de Cristo, que incluirá o arrebatamento dos crentes (Mt.29-31, 40-41). No discurso do Monte das Oliveiras Cristo fala do arrebatamento em conexão com a revelação.
- b) A parábola do trigo e do joio (Mt.24) mostra que a separação irá acontecer no final dos tempos. Naquela ocasião os bons (crentes) serão separados dos maus (incrédulos) e isso ocorrerá no final da tribulação.
- c) A sequência da ressurreição exige que todos os crentes de todas as eras sejam ressuscitados em seus corpos glorificados no final da tribulação (Ap.4-6).
- d) A expressão “te guardarei da provação” conf. Ap.10, também pode referir-se à libertação da ira de satanás que atuará no período da tribulação.
- e) O seguimento da apostasia é um sinal que irá preceder o retorno de Cristo. (2Ts.8)
AURÉLIO, Professor PB. Fco. A. Pinto – ESCATOLOGIA TEOLOGICA, 2009.
É importante ressaltar que todas as três perspectivas concordam que o arrebatamento da igreja é um evento real e que os crentes serão salvos da ira divina. As divergências se concentram no momento em que o arrebatamento ocorrerá em relação à Grande Tribulação.
As diferentes interpretações surgem da análise dos textos bíblicos e da ênfase em diferentes aspectos da escatologia. O debate entre essas posições é importante para o estudo da Teologia, mas não deve ser motivo de divisão entre os cristãos.
Referências
- AURÉLIO, Professor PB. Fco. A. Pinto – ESCATOLOGIA TEOLOGICA, 2009.
- PENTECOST J-Dwight. Manual de Escatologia por Pentecost